quinta-feira, 11 de março de 2010

Tempicitudes de um fado calado

O tempo começou a correr, e nunca mais parou.
Não o consigo apanhar, por muito que corra atrás dele.
Onde será que o tempo vai,
com tanta pressa por aí,
ainda escorrega e cai.

Não sei quem corre mais rápido,
se o tempo ou a deterioração.
Corre e corre e tudo esqueço,
sem conseguir lembrar.

Quanto menos pensar mais feliz eu sou,
mas quem consegue desligar
uma mente sem chorar
por perder
o que já não poderá mais ver.

Todos nos queixamos quando muito temos que trabalhar
mas o sentimento de nada, sem ser nos hospícios,
sempre nos atormenta e cai
naquele fundo de dor de não ser ninguém e nada ter,
nem nada fazer, nem nada dizer.

O ser humano é deveras complicado,
ora reclama pelo que tem, ora chora pelo que não tem.
Mas o tempo nunca para,
o mundo sempre a girar,
os segundos sempre a passar
e nós na mesma
até que um dia,

gone.

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